Basta!

Mulheres que sonham

Ao defender seu projeto de extinção de direitos, o governo fala em “modernização”. Diz que é necessário flexibilizar as Leis Trabalhistas para que o Brasil acompanhe o desenvolvimento global. Mas não revela que esta “flexibilização” significa um enorme retrocesso em relação às conquistas que a classe trabalhadora obteve ao longo de anos de luta. Se aprovada, a Reforma Trabalhista vai desmontar a legislação que protege o trabalho.

Ora, qualquer reforma legislativa deveria ser um instrumento para melhorar a vida dos cidadãos, beneficiando sua qualidade de vida. Infelizmente, a reforma pretendida pelo governo Temer não contempla de forma alguma os interesses dos cidadãos, em especial o das mulheres, que serão as mais afetadas.

A longo prazo, os trabalhadores em geral serão os únicos a sofrer o impacto das mudanças pretendidas pela reforma previdenciária, ou seja, trabalhar e contribuir mais ao longo da vida, para receber uma aposentadoria menor. As mulheres, por sua vez, serão ainda mais prejudicadas, uma vez que elas recebem menos, trabalham mais horas, ficam menos tempo no emprego e são a maioria entre os desempregados; representam 52% da população e são responsáveis pelo sustento de 39% da família; trabalham na semana aproximadamente cinco horas a mais do que os homens, porque trabalham fora cuidam dos filhos e dos afazeres domésticos; o tempo de serviço em uma mesma empresa é de 37 meses para mulheres, enquanto para homens é de 41,7 meses; na aposentadoria por idade, em que o beneficio é de um salário mínimo, as mulheres representam 62%; o valor médio da aposentadoria das mulheres é 17% menor do que o recebido pelos homens; recebem salários 30% menores que o recebido pelos homens.

Não bastasse isso, a reforma trabalhista ainda pretende o predomínio do legislado sobre o negociado, em detrimento da lei e a favor do lado mais forte na negociação; jornada de trabalho livremente negociada, que poderá se estender até 220 horas mensais, sendo que para a mulheres os efeitos do prolongamento da jornada podem ser catastróficos; redução do intervalo, o que pode prejudicar a saúde dos trabalhadores; parcelamento de férias em até 3 vezes, entre outros itens que nada contribuem para a defesa do trabalhador contra os desmandos do capital exacerbado.

Diante deste quadro de violentos ataques aos direitos das trabalhadoras e trabalhadores, precisamos nos mobilizar. Neste 28 de abril, sejamos milhares nas ruas exigindo a não aprovação da Reforma Trabalhista e da Reforma da Previdência. Sejamos muitas mulheres marchando pelo fim da violência contra o trabalho. É hora de dizer BASTA a tantos desmandos.

A Diretoria

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